20.4.06

 

JPP Toma Dores Alheias

José Pacheco Pereira deve andar com falta de assunto para as suas crónicas semanais no Público.

Hoje, ocupou-se extensamente com «a fauna das caixas dos comentários», segundo a sua azeda terminologia.

É certo que ela existe, mas, a ele, a fauna tem-no incomodado muito pouco. No Abrupto, ela não o pode fazer e, nos outros seus dois blogues mais conhecidos, o Veritas Filia Temporis e o dos Estudos do Comunismo, que eu me lembre, sempre que os visitei, nunca por lá a encontrei.

Pergunta-se então : porque estará JPP tão agastado com a dita fauna ? A resposta requererá algum exercício psicanalítico.

Há tempos que JPP se viu ultrapassado em popularidade na blogosfera. Bastou a entrada abrupta de Vasco Pulido Valente para lhe roubar os louros mediáticos. Este e a sua parceira, Constança Cunha e Sá, depressa o desbancaram da posição cimeira, deixando-o muito para trás nas visitas quotidianas e mais ainda no número de comentários suscitados, a ele, que era um veterano do meio, com direito a corte e séquito permanentes !

VPV conseguiu, em pouco tempo, ofuscar JPP na internet, entre outras razões, porque é também muito conhecido na Comunicação Social, que, aliás, frequenta ainda há mais tempo que JPP; além disso, é arguto, escreve bem, possui uma cultura filosófica, histórica, política e literária fora do comum e, talvez mais importante ainda, não poupa figuras, nem instituições, quando aparelha o seu terrível arsenal de crítico mordaz. Por isso o desalojou tão prontamente do trono internético.

Agora, que o Espectro terminou a sua actividade, qual fogoso cometa, pode JPP voltar a sonhar com a sua antiga relevância bloguista. E algum ciúme JPP deixa perceber, ao mencionar os 484 comentários da caixa do Espectro, na inesperada saída de cena deste blogue. Compreende-se a sua irritação, pelo imediato contraste que aquele volume de comentários estabelece com o escassíssimo número que aqueles seus dois parentes do Abrupto, acima referidos, costumavam atrair.

Paciência, caro JPP, um dia tal haveria de suceder. Não adianta, por isso, ir buscar remédio na fustigação da «fauna das caixas dos comentários». Ninguém reina eternamente, muito menos na blogosfera, nesta era da mui cortejada fama, tão retumbante quanto efémera.

JPP, bastamente versado em Filosofia, deveria sabê-lo melhor que qualquer obscuro argumentador, seu contendor e crítico neste bastante democrático meio, pese o enfado que tal condição lhe cause...

AV_Lisboa, 20 de Abril de 2006

Comments:
Pois devolvo-lhe a gentileza do comentário, para acrescentar algo mais:

COmo já escrevi algumas vezes, nada tenho de pessoal contra o JPP. Mas também nada gosto de deixar passar quando se trata de defender a honra exposta.

O que JPP escreve, sobre alguns comentadores com pseudónimo, pode revestir alguma verdade, mas não merecem atenção do modo como lhes foi dada...

Andei a pensar durante a tarde, sobre os motivos reais pelos quais o cronista escreveu o que escreveu.
Não me parece que seja mesmo o despeito, ao ver-se ultrapassado pelo Espectro ou outro blog qualquer.

Parece-ne antes outra coisa que não escrevi porque o tom do postal não era esse.
Parece-me que a razão real se prende a uma inveja específica e compreensível: JPP não consegue escrever anonimamente! Se o fizer, ninguém lhe liga, provavelmente. E se lhe ligam, tratam-no com a igualdade devida e sem o rasto do nome.
Ora, nesse dilema, deve custar-lhe ver alguns anónimos atrevidos que conseguem escrever bem melhor do que ele, com mais saber, provavelmente e a dizer coisas mais interessantes e a suscitar atenção pelo que escrevem.

Deve ser essa a razão pela qual se encanita tanto contra a "fauna" !
É possível, mas é apenas uma especulação.
Seria por isso, uma despeito específico.
 
Reflectindo bem, penso que há muito de perspicaz na alálise, quase secreta, de José. Que valeria ele, por tràs de um nick, como ele diz, anonimamente ? Mas, infelizmente, há algumas passagens do seu texto, que deixam transparecer muita arrogância e desprezo pela já famosa fauna. Incompreensível, grave e inadmissível.
 
Amigo
Passei para uma visitinha rapida
Um abraço
 
Caro Amigo,
Após meus tormentos e tormentas, eis que me sobram uns minutos para me deliciar com seus escritos.
O que me surpreende é encontrar seu blog, tão enriquecedor, com ótimos textos sem nenhum comentário - nisso, quanta responsabilidade eu tenho! Perdoe-me a ausência! Sou eu que perco.
Você tem razão numa de suas frases (só numa?): Estamos envelhecendo e, como você, também não vejo nenhum entusiasmo nem nos jovens nem nos menos jovens. E, como eu, você cita Pessoa - parece que ele tem todas as respostas !!!!
Obrigada por sua habitual gentileza.
MUITOS ABRAÇOS,
Bisbilhoteira.
 
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